sábado, 24 de dezembro de 2011

Democracia cerceada pelas grades de Cabral

A Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), que paradoxalmente carrega slogans como "A casa do povo!" ou "Aqui você tem poder!", acordou na semana passada cercada por grades e viaturas policiais.

Manifestações estão, acreditem, impedidas. Impedidas de forma ilegal, arbitrária e completamente descabida. 

O direito à Liberdade de Manifestação é um princípio pétreo de nosso texto constitucional, mas que hoje se vê completamente desrespeitado e massacrado.


Montar grades, de forma permanente, ao redor de uma casa legislativa, é remontar um cenário de ditadura.


É o governo Cabral construindo mais uma de suas pérolas.

O Blog deixa aqui o seu repúdio a essa ação aviltante e simbólica, que mostra bem o verdadeiro estado da "democracia" em que vivemos...


A Record foi o único veículo da grande mídia a noticiar o episódio.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Brasil um país de todos", todos aqueles que tem dinheiro!

Em prol de atenuar os transtornos causados pelas obras da linha 4 do metrô, que irão bloquear parte da Avenida Ataulfo de Paiva, uma das principais do Leblon, na zona sul do Rio, o governo do Estado decidiu disponibilizar um serviço gratuito de guardas, manobristas e ajudantes 24 horas aos moradores.
Segundo a Secretaria de Estado da Casa Civil, os veículos ficarão sob responsabilidade de guardadores e serão levados para estacionamentos particulares nas proximidades. Sempre que necessitar do carro para sair, o morador que estiver cadastrado deve avisar o porteiro do prédio, que acionará a equipe do vallet.

O governo promete “funcionários suficientes para garantir o pronto atendimento às solicitações dos moradores a qualquer hora do dia e da noite”.
Além disso, haverá carregadores à disposição para levar compras e bagagem e ajudar em outros serviços correlatos. Também será criado um número de telefone exclusivo para o relacionamento entre os moradores e comerciantes. (Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1022125-rio-vai-oferecer-manobrista-a-afetados-por-obras-do-metro-no-leblon.shtml)
Um governo escancaradamente para poucos:
Para os moradores da zona sul, atendimento VIP - digno de modernos shopping centers - financiado pelo governo, quase oligarca, de Cabral. 
Já   para os mais de 100 mil moradores da periferia que estão sendo removidos de suas casas para as obras da Copa e da Olímpiada, indenizações aviltantes, métodos criminosos, desrespeito aos direitos fundamentais, remoções para mais  de 40  quilômetros de distância de suas casas, escolas e locais de trabalho e tudo isso à força, sem dó nem piedade.







É o Brasil que se diz para "todos", mostrando a sua sórdida face: a face da desigualdade.
É ignóbil, hediondo, revoltante, repulsivo e torpe.


Sobre as remoções e outras graves violações cometidas pelo Governo do Estado em um contexto de obras e reformulações urbanas voltadas para a Copa e Olímpiada, você pode ler: 
Promotor considera que prefeitura vem agindo como "Nazista";
Copa e Olimpíada, para que e para quem?


Acesse também o site do Comitê Popular 
do Rio para a Copa e Olimpíadas: http://comitepopulario.wordpress.com/

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mais uma bizarrice da bancada religiosa, o alvo agora é o carnaval.

Incomodados com os lemas das campanhas de prevenção do Ministério da Saúde - como as que pregam no carnaval as relações sexuais seguras com o uso da camisinha -, parlamentares evangélicos e católicos querem as peças publicitárias do Ministério.

Eles reivindicam que as campanhas enalteçam a abstinência e a importância da procriação para formação familiar


"Neste Carnaval, não transe. Se preserve para o casamento, porque família é bom" foi um dos slogans sugeridos pelos evangélicos ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em reunião da Frente Parlamentar da Família, nesta quarta.


As duas mensagens do ministério para o Carnaval, - "Sem camisinha, não dá" e "Seja qual for a fantasia, use sempre a camisinha" - desagradaram aos religiosos. O ministro admitiu fazer uma campanha direcionada para os religiosos.
O encontro foi organizado pelo senador evangélico, que é também homofóbico, reacionário, corrupto e fascista, Magno Malta (PR-ES), que declarou:

- O ministro foi extremamente receptivo e nos prometeu elaborar uma cartilha com as nossas mensagens. E não aquelas do Temporão (ministro da Saúde no governo Lula), que estimulavam relação homossexual e até distribuíam cachimbo para viciados - disse Magno Malta.

Padilha estava à vontade no encontro. O ministro citou a Bíblia e falou da relação entre religião, família e vida saudável.
- Somos todos irmãos. O governo tem que ouvir todos os setores organizados da sociedade em busca de bem-estar para a população. Aids, drogas e alcoolismo são exemplos de doenças que precisamos combater com a ajuda da família - disse Padilha no encontro.

O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) criticou o desarquivamento do projeto que criminaliza a homofobia. Ele afirmou que "os homossexuais formam uma população com muitos privilégios" (Sofrer assédio moral, agressões físicas e ser até mesmo morto devem ser "privilégios" na visão do nosso ex-governador). Garotinho também defendeu uma campanha específica para os religiosos durante o Carnaval.

Magno Malta afirmou que outra reivindicação encaminhada a Padilha foi a criação da Secretaria da Família, para, entre outras atribuições, lidar com jovens viciados em drogas.
- A Secretaria da Família deveria substituir a Senad (Secretaria Antidrogas), que não serve para nada e que só gasta dinheiro com pesquisa: quem fuma e cheira mais no país. Isso é inútil - disse Malta.

O Senador Magno Malta esteve envolvido no E
scândalo dos Sanguessugas, tem relações obscuras com o Pastor Silas Malafaia e já disparou absurdos e inverdades como estas:





sábado, 3 de dezembro de 2011

A cara da nova UBES: Kassab abre o 39º Congresso da entidade.

Escrevo esse post com tristeza. É triste ver uma ferramenta histórica de luta dos estudantes brasileiros se mostrar hoje completamente cooptada e engessada. Estou falando da UBES, União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, mas essas palavras se encaixam perfeitamente ao, nem tão novo assim, formato da UNE.


Todos sabem que os galpões e os locais improvisados, sem luxo ou conforto, foram trocados por espaços conceituados como o Expo Center Norte, onde ocorre esse congresso. 

Todos sabem também, que a UBES e UNE, trocaram, já há bastante tempo, os estudantes pelo governo.

Agora, as coisas costumavam ser um pouco menos escancaradas. Disso aqui eu não sabia....


Os congressos da UBES/UNE costumavam ser abertos por líderes sindicais, estudantis, ou figuras públicas ligadas a defesa dos direitos da população e dos estudantes. Com o tempo isso foi se flexibilizando, os últimos congressos da UNE foram abertos pelo (novo) Lula e pelo (novo-ruralista) Aldo Rebelo. Entretanto, eu nunca pensei que chegaria o dia que um ícone da extrema direita Brasileira iria abrir o evento mais importante de uma entidade estudantil. Bom, o dia chegou. Ninguém menos que Gilberto Kassab abriu, hoje, o 39º Congresso da União Brasileira de Estudantes Secundaristas.

Kassab é prefeito de São Paulo e também presidente do, recém-criado, PSD. Tem sua trajetória política inteira sob o escopo do DEM, o antigo PFL e mais antigo ainda ARENA. Kassab foi Vice-Prefeito na gestão Serra e Secretário de Planejamento na gestão Celso Pitta.

No inicio do ano, a prefeitura de São Paulo aumentou o preço da passagem de ônibus da cidade, o que gerou inúmeras manifestações e protestos, protagonizados pelo movimento estudantil: todos reprimidos, nenhum ouvido por Kassab.



Além de tudo isso, o presidente nacional do PSD ainda responde por dois processos na justiça, um por improbidade administrativa e outro por financiamento ilegal de campanha. Mas, falando francamente, esse aspecto não é exclusividade de Kassab... A pelegada do PCdoB e do PT também está cheia deles, não é mesmo?


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Leia parte da matéria publicada no Blog da UBES:

"O prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, abriu o Congresso dizendo que o movimento estudantil é um importante instrumento de transformação do país: “Aqui há uma bandeira que é a mais importante do Brasil, que é a da educação. Isso deve ser uma discussão central, de forma suprapartidária. Ao longo das últimas décadas, não houve nenhum grande acontecimento do país que não tivesse a participação dos estudantes. Portanto, eu desejo realmente muito sucesso para vocês”, completou Kassab. O prefeito foi aplaudido por estar apoiando o congresso dos estudantes."


Código Florestal: "Dilmão concordou com tudo"


Se você ainda tinha dúvidas sobre as reais intenções dos ruralistas sobre o Código Florestal, uma nota publicada no jornal “O Globo”, no dia 1º, acaba definitivamente com elas. 
A presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia Abreu, que tem um mandato de senadora, foi flagrada no cafezinho do Senado conversando com seus colegas ruralistas. Segundo a nota, Kátia chegou empolgada: “Conseguimos tudo o que a gente queria. Dilmão concordou com tudo”. 
Tamanha informalidade com a presidente da República deve ser realmente sinal de uma amizade profunda. Se o que disse é verdade, “Dilmão”.
"Dilma Rousseff", para quem respeita tanto ao cargo quanto o gênero, concordou com perdão aos criminosos ambientais e mais desmatamento – apesar de irracional, uma vez que o Brasil tem área aberta suficiente para dobrar sua produção no campo sem derrubar mais uma árvore.
Greenpeace, Instituto Socioambiental, Instituto Democracia e Sustentabilidade, SOS Mata Atlântica, Via Campesina e WWF-Brasil protocolaram hoje, na Presidência, um pedido de esclarecimentos sobre a fala da senadora e sobre o suposto acordo avalizado pelo Planalto. Os senadores Randolfe Rodrigues e Marinor Brito, ambos do PSOL, também pediram esclarecimentos semelhantes.
Com a fala, cai a máscara de Kátia Abreu e de toda a bancada ruralista.
Até agora, eles usaram as necessidades dos pequenos agricultores para legitimar os interesses mais escusos.
A CNA não está preocupada com os pequenos e utiliza quem puder para atingir seus objetivos. Continuou ela no cafezinho do Senado, segundo a nota: “Um dos nossos (ruralistas) tem que ser o relator lá (na segunda votação na Câmara). O Aldo Rebelo (relator na primeira votação na Câmara) é metido à socialista. O Jorge Viana (relator no Senado) é um verdinho. O Luiz Henrique (relator na CCJ do Senado) não é mais nosso. A relatoria agora é nosso direito.”
  • Leia abaixo a nota que saiu em “O Globo”.
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Flagrante no cafezinho do Senado / Ilimar Franco, O Globo
Os deputados ruralistas Paulo Piau (PMDB-MG), cotado para relatar o Código Florestal na Câmara, e Abelardo Lupion (DEM-PR) conversavam, quando chegou a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura. Entusiasmada, disse: “Conseguimos tudo o que a gente queria. Dilmão concordou com tudo.” E, empolgada, acrescentou: “Um dos nossos (ruralistas) tem que ser o relator lá (na segunda votação na Câmara). O Aldo Rebelo (relator na primeira votação na Câmara) é metido à socialista. O Jorge Viana (relator no Senado) é um verdinho. O Luiz Henrique (relator na CCJ do Senado) não é mais nosso. A relatoria agora é nosso direito.”
Fecha o pano.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Eu sou um "filho do diabo", segundo Silas Malafaia

Segundo o mafioso Pastor Silas Malafaia, figura a quem já enderecei várias críticas neste blog, eu sou mais "um filho do diabo, um instrumento de Satanás para perturbar a fé e a igreja!", ele ainda ameaça "E cuidado que eu sou profeta! Te cuida malandro, te cuida meu chapa!"


Veja o discurso ignóbil desse ser hediondo:


Ainda dá para ler ou reler alguns dos posts em que crítico o comportamento criminoso desse "pastor" perigoso:
http://joaopedropsol.blogspot.com/2011/05/religiao-ou-mafia.html
http://joaopedropsol.blogspot.com/2011/06/as-mentiras-dos-homofobicos.html


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O que significa aprovar o "Dia do Orgulho Hétero"

O meu último post, sobre o projeto de lei que visa instituir - aqui no Município do Rio - o "Dia do Orgulho Hétero", de autoria do Vereador Carlos Bolsonaro, fez com que muita gente, algumas por simples desconhecimento e outras por puro preconceito, levantassem algumas questões que me proponho à esclarecer nesse novo post.


Muitos internautas questionaram o fato da Cidade do Rio de Janeiro comemorar, como tantas outras no Brasil e no mundo, o “Dia do Orgulho LGBT”, então, sob o pálio de uma isonomia meramente formal, seria legítimo que ela igualmente comemorasse o “Dia do Orgulho Heterossexual”, pois dessa forma todas as orientações sexuais estariam contempladas pelo legislador no aludido Calendário, confirmando assim uma vocação teoricamente democrática e pluralista.



Essa não é, todavia, a isonomia de tratamento que o comando contido no indigitado texto quer instituir, na medida em que ali está prescrito que o "Poder Executivo Municipal envidará esforços no sentido de divulgar a data instituída por esta lei objetivando conscientizar e estimular a população a resguardar a família, a moral, os bons costumes e os princípios cristãos". Como se vê, o dispositivo expressamente patenteia que o “Dia do Orgulho Heterossexual”, cuja comemoração anual, dar-se-á  no dia internacional da família, estará associado ao resguardo da moral e dos bons costumes. 

Logo, não é necessário fazer grande esforço interpretativo para ler, nas entrelinhas do pretendido preceito, que apenas e tão só a heterossexualidade deve ser associada à moral e aos bons costumes, indicando, ao revés, que a homossexualidade seria avessa a essa moral e a esses bons costumes. 

Aliás, o texto da “justificativa” que acompanha o projeto de lei descreve está completamente impregnado de sentimentos de intolerância e ódio, além de apresentar uma clara conotação homofóbica. 


Consequentemente, sob essa perspectiva, caso o Município do Rio, por qualquer de seus órgãos, viesse a dar cumprimento a esse dispositivo, resultaria a inequívoca mensagem à população em geral no sentido de que a homossexualidade seria “um modo de ser” supostamente contrário à moral e aos bons costumes, com isso violaríamos os princípios basilares e objetivos fundamentais de nossa constituição, dentre eles o da cidadania, o da dignidade da pessoa humana, o da construção de uma sociedade livre, justa e solidária, o da redução das desigualdades sociais, o da promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e “quaisquer outras formas de discriminação”, e o da prevalência dos direitos humanos (Constituição da República Federativa do Brasil, artigo 1º, incisos II e III, artigo 3º, incisos I, III e IV, e artigo 4º, inciso II).


Mas a principal razão para ser contrário ao projeto é que este mesmo, sob a aparência de promover o “orgulho da heterossexualidade” ,- e aqui se deve observar que não faz sentido algum “ter” ou “comemorar” o orgulho de pertencer a uma maioria que não sofre qualquer tipo de discriminação - a carta de lei torna institucional o preconceito contra a homossexualidade, associada no corpo do texto legislativo à falta de moral e de bons costumes. 

-> Leiam um trecho do artigo do professor de Direito Penal da USP, MARCOS ZILLI, sobre projeto de mesmo conteúdo aprovado na Câmara Municipal de São Paulo e, mais tarde, vetado pelo Prefeito da Capital Paulista:
"A expressão “orgulho”, estreitamente associada à luta pela conquista da cidadania plena da chamada comunidade LGBT, representa o contraponto do sentimento de “vergonha”, que sempre pautou o tratamento opressivo dado à orientação e à identidade sexual diversa do padrão socialmente aceito. Afinal, tais comportamentos evocavam a noção de defeito, de modo que deveriam permanecer ocultos diante do vexame familiar e social que provocavam. A dignidade humana, como se sabe, é patrimônio que não está restrito a grupos específicos. No entanto, são justamente as minorias que mais se ressentem do exercício pleno de seus direitos, já que as sociedades tendem a ditar o seu ritmo à luz de uma maioria. Fixa-se, então, um padrão comum, e a ele se agrega o qualificativo da normalidade. 
A situação se agrava quando a minoria não é percebida como uma projeção natural da diversidade e da pluralidade humana, mas como um desvio a ser menosprezado, esquecido ou corrigido. É nesse momento que se abrem as portas para o exercício diário da intolerância e da violência. A destinação de datas relacionadas com as minorias é apenas uma das ferramentas disponíveis no vasto terreno da luta pela efetividade dos direitos humanos. Em realidade, elas possuem valor meramente simbólico, já que o objetivo é o de chamar a atenção do grupo social em favor de quem é, diariamente, esquecido no exercício de seus direitos. Busca-se promover a conscientização de que a dignidade humana não é monopólio restrito à maioria. Vem daí a consagração dos dias “da Mulher”, “da “Consciência Negra” e “do Índio”. 
Nessa perspectiva, a reserva de uma data especial para a celebração do orgulho dos heterossexuais se mostra desnecessária, uma vez que não há discriminação por tal condição. Não são associados à doença ou ao pecado, tampouco são alvo de perseguições no trabalho, nas escolas ou em outros ambientes sociais. A união heterossexual, por sua vez, é totalmente amparada pelo Estado e pelo Direito. Além disso, a iniciativa legislativa propicia uma leitura perigosa, capaz de desvirtuar a própria dinâmica dos direitos humanos. Com efeito, ao acentuar o vínculo já consolidado entre “orgulho” e o “padrão socialmente aceito”, a lei cria dificuldades para que se elimine o estigma da “vergonha” que persegue o movimento oposto. Afinal, vergonha não emerge do que se mostra normal, mas, sim, do que se qualifica como anormal. Em verdade, a energia criativa do legislador deveria ser canalizada em prol de políticas públicas eficientes para o processo de consolidação da respeitabilidade integral dos direitos humanos. 
A questão é especialmente urgente em uma cidade onde são recorrentes os atos de violência racial, étnica, religiosa, de gênero e de orientação sexual. Experiências frutíferas poderiam ser alcançadas nos bancos escolares públicos. Leis que se mostrassem preocupadas com a formação de crianças desprovidas de quaisquer preconceitos já seriam muito bem-vindas. Afinal, na base da educação dos direitos humanos repousa o valor-fonte da tolerância. É chegada a hora de aceitarmos tudo o que não se apresente como espelho. 

Por fim, cabe ressaltar, que não há nenhum registro de constrangimento público, violação de direito, agressão ou assassinato de um cidadão heterossexual pelo simples fato deste mesmo ser heterossexual. 

Por outro lado, a cada dois dias um homossexual perde a vida neste país pelo simples fato de ser gay. Só aqui, no estado do Rio, a cada dia, as comunidades carentes, registram 10 casos de agressões à membros da comunidade LGBT.

Instituir o dia do Orgulho Hétero pode até parecer, à primeira vista, formalmente democrático e isonômico, entretanto olhando mais atentamente a proposição, percebe-se que essa se trata de uma tentativa de (re)instituir o preconceito nas leis que regem nossa sociedade.

Além disso, criar uma lei que obrigue o Poder Executivo Municipal à envidar esforços no sentido de divulgar, conscientizar e estimular a população - dente outras coisas - a resguardar os princípios cristãos é uma clara afronta ao Estado Laico.

Homossexualidade não é imoral, não é doença e não é vergonhoso ser homossexual. Aprovar projetos como este, seria regredir incrivelmente, voltando aos tempos em que a Organização Mundial da Saúde tratava a homossexualidade como patologia mental.

Para encerrar o post, termino com uma alfinetadinha quase pessoal: Carlos Bolsonaro, o vereador que apresentou essa proposta nefasta e seu pai - que é quem articula seu mandato, sabem que esse projeto não será aprovada na Câmara Municipal... Mas acontece que ano que vem tem eleições... E armar palco para fazer show de horrores é especialidade dessa família nojenta...

Dia do Orgulho Hétero: Agora no Rio e com a marca de Bolsonaro!

Filho de Peixe, Peixinho é... 
Vereador Carlos Bolsonaro, filho do famoso Deputado Jair Bolsonaro, Propõem lei para instituir, no Município do Rio de Janeiro, o "Dia do Orgulho Hétero". Leiam até o final essa proposta repugnante e nojenta, em especial a justificativa dela:



PROJETO DE LEI Nº 1085/2011 
EMENTA: ALTERA A LEI Nº 5.146 DE 07 DE JANEIRO DE 2010, PARA INCLUIR O "DIA DO ORGULHO HETEROSSEXUAL" NO CALENDÁRIO OFICIAL DE EVENTOS E DATAS COMEMORATIVAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO.
Autor(es): VEREADOR CARLOS BOLSONARO. 
A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO D E C R E T A :
Art. 1º O item XII do § 5º do Art. 6º da Lei nº 5.146 de 07 de janeiro de 2010, passa a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 6º (...)§ 5º (...)XII – No dia 15 de maio: 
a) O Dia do Operador de Faixa do Cidadão;
b) O Dia do Orgulho Heterossexual, quando o Poder Executivo envidará esforços no sentido de divulgar a data instituída por esta Lei objetivando conscientizar e estimular a população a resguardar a família, a moral, os bons costumes e os princípios cristãos;"
Art. 2º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
Plenário Teotônio Villela, 16 de agosto de 2011.
Vereador CARLOS BOLSONARO.

JUSTIFICATIVA:
Inicialmente, por dever de justiça, cumpre ressaltar que o presente projeto foi inspirado em proposição de texto semelhante à que foi apresentada pelo Vereador CARLOS APOLINÁRIO (PDT), da Câmara Municipal de São Paulo.
Ao apresentá-lo, procurei particularizar atribuindo o dia 15 de maio em virtude desta data coincidir com o "Dia Internacional da Família", instituído pela ONU, em 1993.
Por outro lado, coincide com o crescimento assustador de pessoas infectadas pelo vírus HIV a massificação de movimentos homossexuais que buscam a desconstrução da heterossexualidade que, dentre outros efeitos nocivos, geram crianças órfãs cujos pais faleceram em decorrência de AIDS, fato que contribui para o aumento da criminalidade.
Da mesma forma podemos afirmar que a melhor prevenção contra o HIV/AIDS é a orientação para uma cultura que valorize a família estável onde cada membro se preocupa com o bem-estar do outro e tanto mais forte será quando fundada no casamento entre homem e mulher (Art. 226, § 3º da Constituição Federal).
Considerando os argumentos acima e, principalmente, por entender que, como representante de parcela majoritária da sociedade não alinhada com a verdadeira apologia em favor da desarticulação da família – célulamater da sociedade, tenho a obrigação de adotar uma posição firme em favor dos bons costumes e princípios cristãos, conforme as convicções da população fluminense e, nesse sentido, apresentar o presente Projeto de Lei – que espero, conte com o apoio de todos os meus pares.


sexta-feira, 14 de outubro de 2011

PSOL com PV: Não tem nada a ver!


O cenário partidário no Brasil é vergonhoso: Do PT ao DEM, se vê práticas políticas que já deveriam estar banidas há muito tempo.

Nesses tempos de pós-modernidade, a ideologia vale muito pouco, e os partidos são, em geral, simples ferramentas de disputa por espaços institucionais. Porém, em franca oposição à isso tudo está o PSOL - o Partido do Socialismo e da Liberdade. O motivo de escrever aqui hoje, é o seguinte: Esse contraponto corre risco, corre grave risco.


O Partido Verde, de Gabeira e Sirkis, não é diferente. Pra falar a verdade, a diferença entre o PV e o DEM, de Cesar Maia, começa e termina na roupagem democrática e bonitinha, no discurso. Por que na prática não há diferença alguma... 


Como esquecer que o PV esteve, aqui no Rio, coligado com o PSDB e com o DEM nos dois últimos pleitos. Gabeira pedia votos pra Maia, há menos de um ano atrás.



No Parlamento, Gabeira votou a favor da quebra do monopólio estatal do Petróleo, anos atrás. Ainda falando em privatização, toda a bancada estadual do PV votou a favor da privatização da Saúde Pública através das OS's.

Uma das nossos principais lutas - a batalha contra as remoções e a higienização social - iniciou-se, em grande parte, graças ao relatório da CPI da Desordem Urbana, presidida pela, então vereadora, hoje Dep Estadual, Aspásia Camargo do PV. Serão 500 mil pessoas removidas de suas casas. 

Em defesa de um PSOL realmente Socialista, Libertário e Classista, convoco a todos, à divulgarem e assinarem essa petição pública contra essa coligação espúria, burguesa e oportunista:


Petição: 

Nós que assinamos este documento, expressamos publicamente que somos contrários a coligação do PSOL com o PV no pleito municipal carioca no ano de 2012.


Consideremos que:
I- O PV é um partido inserido em uma lógica burguesa e que esteve nos últimos pleitos coligados, aqui no Rio, com o PSDB e o DEM. No Parlamento, foi através do PV que se iniciou a onda de remoções. A bancada estadual do partido foi, no último mês, favorável a privatização da saúde pública, através das OS's.
II- Como postulantes de uma nova prática política, identificamos no PV, vários dos traços da velha política que criticamos: Um partido precário ideologicamente que se mantém como uma legenda de aluguel na perspectiva da disputa institucional, pura e simples.
III- As eleições municipais cariocas terão protagonismo nacional, principalmente na perspectiva da Copa do Mundo e Olimpíadas, nesse momento será fundamental apresentar uma alternativa de esquerda para o projeto de cidade à ser implementado pelo capital.
IV- Defendemos, por fim, a continuidade de um PSOL realmente Socialista e realmente Libertário, que mantenha seu caráter classista.


Não dá pra governar pra todos. O Psol tem que ter lado, o lado dos mais pobres, dos explorados e dos oprimidos.

Os signatários

sábado, 8 de outubro de 2011

Eduardo Paes faz empresários lucrarem até na chamada escolar


O Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, adotou um sistema de "presença eletrônica" para os alunos da rede municipal de ensino. 


Sistema este que custou 50 milhões de reais. Serão mais de 50 milhões endereçados aos cofres da Fetranspor - Federação das empresas de transportes de passageiros do estado do rio de janeiro, por um serviço que antes era gratuito. 


O que o prefeito fez foi uma boa manobra para driblar a decisão do Tribunal de Contas do Município que proibiu que a prefeitura continuasse, a «generosamente", pagar pelo "passe livre", nada livre, estudantil, garantido na lei orgânica do Rio. 


Passe-Livre IRRESTRITO Já!
Precisamos de um prefeito que se preocupe com a população e não em enriquecer sem limites um restrito grupo de empresários. 
Nós estudantes exigimos PASSE LIVRE IRRESTRITO JÁ! - Acesso à cidade é fundamental para termos acesso efetivo à saúde, educação, lazer, cultura e esporte, ainda mais em uma cidade com serviços de transporte tão caros quanto o Rio de Janeiro.. 




O "Estado Balcão": Modelo Paes/Cabral de Governar:
Não é de hoje que vemos, as funções do estado serem exercidas por empresas ou pelo chamado terceiro setor (ONGS'S, OS'S E FUNDAÇÕES). Mas não se tem registro na história, de um sistema tão complexo de enriquecimento através do estado como nessa gestão de Cabral, no executivo estadual, e de Paes, no municipal. 


O Modelo é basicamente este: Por um lado, a inciativa privada lucra estratosféricamente em todos os segmentos do governo: Saúde, Educação, Segurança Pública, Cultura, Esporte e por assim vai... Por outro lado, a população continua recebendo péssimos sérviços em todas estas áreas. Até quando isso vai continuar?




segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mais um retrocesso: Ensino Religioso nas escolas municipais.

Ensino Religioso: Mais um retrocesso!
O projeto de lei número 862 de 2011, fruto de uma promessa de campanha do então candidato Eduardo Paes, feita à Igreja católica, chegou à Câmara em 30 de março. Depois de ter a votação adiada, o projeto foi aprovado nesta semana com 26 votos, agora vai à sanção do prefeito

O Plenário da Câmara ainda aprovou a "bizarra" emenda 13 que dizia: ”Os professores de ensino religioso deverão ser credenciados pela Autoridade Religiosa competente, que exigirá deles formação religiosa obtida em instituição por ela mantida ou reconhecida”. Uma aberração completa.

O Estado Laico não pode valer somente no papel!
Em um país como o Brasil, que ainda sofre intensamente com as mazelas do fundamentalismo religioso e seus laços institucionais, iniciativas como essas apenas aprofundarão graves problemas.


No Congresso Nacional a bancada religiosa é uma das mais poderosas do parlamento, o que dificulta muito a aprovação de dispositivos, que por exemplo, garantam os direitos da comunidade LGBT. A nossa própria constituição, apesar de garantir o caráter laico do estado, cita "Deus" em seu prefácio. Órgãos do estado, como o Supremo Tribunal Federal, o Senado e a Câmara trazem crucifixos pendurados em seus respectivos plenários. 

O curso da história mostra o quão perigoso são as estreitas ligações entre o estado e a religião, por isso não dá pra tolerar que as decisões políticas sejam influenciadas por crenças religiosas, e projetos como o "ensino religioso" em escolas públicas só reforçam esse quadro lastimável.