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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"Brasil um país de todos", todos aqueles que tem dinheiro!

Em prol de atenuar os transtornos causados pelas obras da linha 4 do metrô, que irão bloquear parte da Avenida Ataulfo de Paiva, uma das principais do Leblon, na zona sul do Rio, o governo do Estado decidiu disponibilizar um serviço gratuito de guardas, manobristas e ajudantes 24 horas aos moradores.
Segundo a Secretaria de Estado da Casa Civil, os veículos ficarão sob responsabilidade de guardadores e serão levados para estacionamentos particulares nas proximidades. Sempre que necessitar do carro para sair, o morador que estiver cadastrado deve avisar o porteiro do prédio, que acionará a equipe do vallet.

O governo promete “funcionários suficientes para garantir o pronto atendimento às solicitações dos moradores a qualquer hora do dia e da noite”.
Além disso, haverá carregadores à disposição para levar compras e bagagem e ajudar em outros serviços correlatos. Também será criado um número de telefone exclusivo para o relacionamento entre os moradores e comerciantes. (Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1022125-rio-vai-oferecer-manobrista-a-afetados-por-obras-do-metro-no-leblon.shtml)
Um governo escancaradamente para poucos:
Para os moradores da zona sul, atendimento VIP - digno de modernos shopping centers - financiado pelo governo, quase oligarca, de Cabral. 
Já   para os mais de 100 mil moradores da periferia que estão sendo removidos de suas casas para as obras da Copa e da Olímpiada, indenizações aviltantes, métodos criminosos, desrespeito aos direitos fundamentais, remoções para mais  de 40  quilômetros de distância de suas casas, escolas e locais de trabalho e tudo isso à força, sem dó nem piedade.







É o Brasil que se diz para "todos", mostrando a sua sórdida face: a face da desigualdade.
É ignóbil, hediondo, revoltante, repulsivo e torpe.


Sobre as remoções e outras graves violações cometidas pelo Governo do Estado em um contexto de obras e reformulações urbanas voltadas para a Copa e Olímpiada, você pode ler: 
Promotor considera que prefeitura vem agindo como "Nazista";
Copa e Olimpíada, para que e para quem?


Acesse também o site do Comitê Popular 
do Rio para a Copa e Olimpíadas: http://comitepopulario.wordpress.com/

domingo, 26 de junho de 2011

Promotor considera que prefeitura vem agindo como "nazista"

Na noite desta terça, o Ministério Público Federal promoveu Audiência Pública para tratar do programa de remoção de moradores cariocas por causa das obras para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. 
Foram feitas duras críticas sobre supostas arbitrariedades nas áreas por onde passarão os novos corredores viários do Rio e o MP falou até em métodos nazistas na execução das remoções.

REALOCAÇÕES SÃO PREOCUPAÇÃO DO COI

  • Salvatore Di Nolfi/AP
    Em abril deste ano, a relatora especial da ONU para a Moradia Adequada, Raquel Rolnik (foto), acusou as autoridades do Rio e das outras cidades-sede da Copa de praticarem desalojamentos forçados e violarem os direitos humanos. O relatório provocou críticas da Anistia Internacional e repercutiu na imprensa do exterior.
    Na semana seguinte, o Rio recebeu membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para uma das reuniões de revisão do projeto Rio 2016. No último dia da visita, em entrevista no Palácio da Cidade, o diretor executivo de Jogos Olímpicos do COI, Gilbert Felli, foi perguntado sobre como a entidade enxergava a questão. O prefeito Eduardo Paes tentou se antecipar e responder que tudo estava sendo feito dentro da lei, mas Felli pediu a palavra e disse que havia pedido um relatório completo de todas as desapropriações.

O Secretário de Habitação do Rio, Jorge Bittar (PT/RJ), foi alvo de um verdadeiro bombardeio.
A audiência foi proposta pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC/RJ) para ouvir as demandas da população. A artilharia pesada começou com Leonardo de Souza, subprocurador geral de Justiça. Representando o MP Estadual, Souza disse que não estaria prevalecendo o estado de direito nas realocações.
“A Prefeitura vai lá e pinta uma sigla na casa dos moradores: SMH, Secretaria Municipal de Habitação. Isso me remonta os nazistas que marcavam as casa dos judeus”, disparou o subprocurador. “Em dezembro passado, moradores das comunidades de Vila Harmonia, Recreio 2 e Restinga receberam a visita de retroescavadeiras dois dias depois de serem avisados que não seriam desalojados antes do Ano Novo. Muitos tiveram que dormir na praia”, completou Souza, arrancando aplausos dos representantes das comunidades, que também foram ouvidos na audiência.
As queixas mais recorrentes são a truculência e o uso de instrumentos de pressão por parte de agentes da Prefeitura, o baixo valor das indenizações propostas e a realocação em locais muito distantes. É o caso de moradores do Campinho, próximo de Madureira. O programa Minha Casa, Minha Vida levou muitas famílias para Cosmos, a mais de 30km de distância.
“Em Madureira, muitas pessoas vivem do mercado informal”, defendeu Érika Glória, do Comitê Popular da Copa e Olimpíada. “Que legado é esse que joga as pessoas para longe do seu local de trabalho?”, perguntou.
As indenizações propostas seguem uma tabela estipulada por um decreto de 2001 do prefeito Cesar Maia. Os valores, segundo os moradores, estão muito abaixo do mercado. “Não adianta a Prefeitura alegar que é preciso seguir o decreto do Cesar Maia”, defendeu um morador. “Nenhum decreto pode se sobrepor à Lei Orgânica do Município nem muito menos à Constituição Federal, que prevê uma indenização justa.”

EX-MINISTRO DO GOVERNO LULA SERÁ AUTORIDADE PÚBLICA OLÍMPICA

  • EFE/Antonio Lacerda
    Ex-ministro das Cidades, Márcio Fortes foi indicado pela presidente Dilma Rouseff para ocupar o cargo de Autoridade Pública Olímpica (APO) dos Jogos do Rio de Janeiro-2016. Ele ainda passará por uma sabatina no Senado para ter sua nomeação confirmada. Ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles será o presidente do Conselho Público Olímpico, orgão acima da APO.
    "Tem um negócio que ninguém fala. Eu quero ganhar as Olimpíadas. Claro que, como diz o espírito olímpico, é importante participar. Mas é muito melhor participar vencendo", afirmou Fortes. "O Brasil está se preparando para ganhar medalhas, é um projeto a longo prazo".
O vereador Eliomar Coelho, do PSOL, citou o caso de uma moradora do Recreio que teria recebido R$ 8 mil de indenização e hoje estaria morando nos escombros da casa demolida por não ter para onde ir. “Propus uma CPI [para investigar as realocações], mas só cinco vereadores assinaram e eu preciso de pelo menos 17 assinaturas”, disse. “As comunidades precisam ir à Câmara pressionar.”

Secretário bate boca com morador

O Secretário Municipal de Habitação, Jorge Bittar, rebateu as críticas com uma exposição sobre o legado olímpico nas áreas de Habitação, Educação, Saúde e Transporte. Ele falou sobre o projeto Morar Carioca, que prevê a urbanização de todas as favelas do Rio até 2020, e sobre o Minha Casa, Minha Vida, cujo objetivo é a construção de 50 mil casas para famílias de baixa renda.
Quando falava sobre os recursos que serão aplicados nos dois projetos, foi interrompido por gritos do auditório. “Tudo isso é feito com o dinheiro das indenizações?”, perguntou um rapaz. “Você sempre diz besteiras assim?”, devolveu o secretário, que completou dizendo “Essa gente reclama com a barriga muito cheia”
O rapaz foi retirado do auditório por ordem de Gisele Porto, procuradora da República. 
Ao encerrar a audiência, Gisele Porto garantiu que serão realizadas outras audiências públicas. Outros envolvidos nas remoções, como representantes de empresas concessionárias e subprefeitos, também serão ouvidos.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Copa e Olimpíada para que e para quem?


Nos últimos anos, "comemoramos" de um modo quase ufanista a conquista da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, no Rio de Janeiro em 2016.

Na verdade esses Mega-Eventos, estão sendo conduzidos de forma a moldar o nosso país para atender as necessidades dos grandes investidores, promover a nossa imagem no mercado internacional e consolidar um modelo neoliberal, capitalista e exclusor.

Aqui, no Rio de Janeiro, passamos em 2007 por uma experiência parecida, ao sediarmos os Jogos Panamericanos. O evento que fora, inicialmente, orçado em 400 milhões de reais, acabou extrapolando a marca dos 4 bilhões de reais. A pior parte é que depois de tanto investimento, não se viu nenhuma utilização posterior das obras do Pan. Toda a estrutura montada não serve a população de modo algum.

As construções erguidas para o Pan de 2007 estão hoje abandonadas ou entregues a iniciativa privada


As obras para estes grandes eventos já estão atrasadas. As verbas emergências já começaram a ser apresentadas e agora a Presidente da República, Dilma Russef, sancionou a criação da Autoridade Pública Olímpica. Para presidente da APO, Dilma indicou Henrique Meirelles. Henrique é ex-presidente do Bank Boston, grande empresário do setor financeiro. O empresário é acusado de não declarar mais de 100 milhões de reais quando foi presidente do Banco Central durante o governo Lula. 

A APO nada mais é do que uma entidade que flexibiliza os mecanismos de controle da sociedade, facilitando exagero nos gastos e a corrupção. 


A Deputada Jandira Fegahli (PCdoB-RJ), editou a MP-521, uma medida que também flexibiliza, isto é, afrouxa, o controle público sobre as obras da Copa e dos Jogos Olímpicos, no que tange as licitações.  


No município, a função que o prefeito Eduardo Paes vem desempenhando "brilhantemente" é a da limpeza social. A serviço dos incorporadores e da especulação imobiliária, até "barreira" para esconder algumas favelas já se construiu. Estima-se que mais de 5 mil famílias sejam removidas em função dos jogos. São milhares de casas que estão na mira do governo, que utiliza dos métodos mais sórdidos para efetuar as remoções, desde cortes da rede elétrica até incêndios criminosos. 


Como diria o nosso grande vereador Eliomar, "A primeira prova olímpica já começou: Corrida ao Tesouro Sem Barreiras."


-> Eliomar Coelho (PSOL) é vereador do Rio de Janeiro e acompanha de muito perto a questão dos Mega-Eventos e como isso interfere na vida da população.

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