quarta-feira, 20 de julho de 2011

Polícia do Rio afirma que Juan foi morto por PMs e que não houve confronto

O delegado Ricardo Barbosa, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, responsável pela investigação do sumiço e da morte do menino Juan Moraes Neves, de 11 anos, afirmou, nesta quarta-feira (20), que o menino foi baleado por policiais militares. Segundo ele, a perícia constatou que não houve confronto entre PMs e suspeitos. O inquérito, no entanto, ainda não terminou.

“De acordo com as provas recolhidas, o Juan morreu com um tiro no pescoço e ele foi baleado por policiais militares”, disse Ricardo Barbosa. “Testemunhas e perícia não indicam ocorrência de confrontos”, completou.
A Polícia Civil indiciou os quatro policiais militares suspeitos da morte nesta quarta. Eles estavam na comunidade Danon no dia 20 de junho, quando Juan despareceu durante uma operação policial. Os PMs já tinham sido afastados das ruas pelo comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte. Outros sete policiais também são investigados.
Medo de represálias                                   O delegado explicou que pediu a prisão temporária dos quatro PMs ao Ministério Público porque testemunhas relevantes da investigação do caso não se sentiam seguras de depor e sofrerem represálias.
“A prisão temporária dos PMs é referente ao crime de homicídio qualificado. Eles continuam sendo investigados por ocultação de cadáver”, explica o delegado.
Sem confronto
De acordo com o delegado, uma série de provas e testemunhas ajudam nas investigações. Um vídeo gravado por um morador logo após a ação policial mostra as posições das cápsulas de bala e poças de sangue, que seriam de Juan.

“Os disparos só foram efetuados de um ponto da comunidade. Primeiro os PMs contaram que se confrontaram com seis suspeitos, mas, em depoimento, se contradisseram, dizendo que o confronto havia sido com dois homens”, explicou o delegado. Na ocasião, um suspeito de ser traficante foi baleado e morto. No entanto, a perícia apontou que apesar de armado, este suspeito não efetuou disparos.
GPS                                Segundo dados obtidos através do GPS instalado na viatura que estava no local, os PMs levaram 23 minutos para socorrer o suposto traficante. O delegado considera que os policiais demoraram a prestar este socorro. “Além dos quatro PMs que tiveram prisão temporária pedida, continuamos investigando os outros agentes que estavam na comunidade no dia da operação policial”, informou.

Outro dado obtido através do GPS foi que a viatura da PM não percorreu o trajeto até o Rio Botas, em Belford Roxo, onde o corpo de Juan foi encontrado. A polícia aguarda ainda a análise das conversas telefônicas que serão cedidas pelas operadoras de celulares para investigar a ocultação do corpo do menino.
Pedido de prisão
Na terça-feira (19), o Ministério Público do Rio pediu à Justiça a decretação da prisão temporária, de 30 dias, dos PMs. Segundo a assessoria de imprensa do MP, o pedido foi enviado à 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Procurada pelo G1, a assessoria do Tribunal de Justiça informou que ainda não tem informação sobre o pedido.
A assessoria do MP explicou que a prisão temporária dos PMs foi pedida em relação a dois homicídios duplamente qualificados (a morte do menino Juan e de um suposto traficante), duas tentativas de homicídio duplamente qualificado (do irmão de Juan, e de um jovem de 19 anos - ambos estão no Programa de Proteção à Testemunha) e ocultação de cadáver de Juan.

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